Apresentação da comunicação:

A antiguidade da viticultura portuguesa originou a acumulação de uma grande variabilidade genética entre as variedades (intervarietal) e dentro de cada variedade (intravarietal). No que respeita à variabilidade intervarietal, existirão no país cerca de 250 variedades autóctones já reconhecidas. Quanto à variabilidade intravarietal existem em geral inúmeros genótipos dentro de cada variedade que, embora morfologicamente semelhantes, apresentam diferenças genéticas substanciais quanto a características economicamente importantes, nomeadamente, rendimento, açucar no mosto e outras características agronómicas e de qualidade. Existindo variabilidade genética inter e intravarietal, existe matéria-prima disponível para fazer face às exigências actuais e futuras do mercado, isto é, para autorizar a selecção no sentido dos interesses da viticultura em cada momento histórico. Compreende-se assim que, tendo Portugal herdado do passado uma muito ampla variabilidade genética específica, mas hoje sujeita a uma extrema pressão de erosão, lhe cabe a responsabilidade incontornável de a conservar e de a explorar com os métodos mais eficientes.

Nesta apresentação serão descritos os trabalhos de conservação e de selecção realizados na Península de Setúbal, concretamente no Pólo Experimental de Conservação da Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira (PORVID), em Pegões. Este Pólo Experimental é exclusivamente dedicado às actividades de conservação (guarda de aproximadamente 50000 genótipos), quantificação da variabilidade genética e selecção. Para a realização destes objectivos está em curso no país a prospecção generalizada da variabilidade intravarietal de todas as castas autóctones, sendo os genótipos posteriormente enraizados e conservados em vasos (cada genótipo representado por 4 plantas de pé franco). Até ao momento, encontram-se nestas condições aproximadamente 8000 genótipos. Contudo, para explorar a variabilidade genética e pô-la ao serviço da viticultura, isto é, para disponibilizar aos viticultores materiais seleccionados e conhecimento novo sobre as castas, é necessário guardar paralelamente e avaliar a diversidade sob a forma de plantas enxertadas no campo, organizadas segundo um delineamento experimental. Para a realização deste objectivo, foram já instalados, em Abril 2013, 8ha de ensaios de 7 castas autóctones, estando conservados sob esta forma aproximadamente 2000 genótipos. Em anos próximos, a conservação (em vasos e no campo) será prosseguida a um ritmo semelhante.

Em paralelo com o trabalho experimental de conservação e avaliação da diversidade são correntemente conduzidos estudos metodológicos fundamentais, focados no aumento da eficácia dessas actividades.


Elsa Gonçalves e Antero Martins

Instituto Superior de Agronomia (Universidade de Lisboa) e Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira (PORVID)

Tapada da Ajuda, 1349-017 Lisboa, Tel.: 21 365 3190; elsagoncalves@isa.ulisboa.pt, anteromart@isa.ulisboa.pt

Profª. Doutora Elsa Gonçalves

Investigadora no Instituto Superior de Agronomia

12.10 - 12.30: O Estudo da Diversidade da Videira na Península de Setúbal

 

​​

​​R. D. João de Castro, 12 Loja

2950-206 Palmela

Portugal

 

09:00H - 12:30H

14:00H - 17:30H

 

(+351) 212 353 547

  • Instagram
  • Facebook
  • Linkedin

© 2013 by AVIPE