Eng.º Juan Miguel Cantus

Technical Integrity Manager

15.10 - 15.30: Aplicação de Fitofármacos

 

Apresentação da comunicação:

As pragas e doenças que atacam a vinha não só produzem uma redução da colheita mas também impactam negativamente a qualidade dos vinhos.

A média das intervenções foliares anual varia entre as 4 a 12 aplicações dentro das principais regiões vitícolas portuguesas.

Os principais problemas fitossanitários nas principais regiões vitícolas são o oídio, míldio, traça dos cachos assim como os ácaros e, mais recentemente, o black rot e o Scaphoideus titanus.

A pulverização é o principal método utilizado entre nós para os tratamentos fitossanitário, contudo as aplicações de enxofre em pó têm maior relevância na região do Douro e Alentejo.

A optimização dos tratamentos fitossanitários tem como objectivo conseguir a máxima eficácia/custo, com a máxima segurança para o aplicador, consumidor e meio ambiente, contemplando os seguintes aspectos

  • Determinação da necessidade da intervenção (monitorização, seguimento das condições climáticas, etc.)

  • Determinação do melhor momento para a intervenção (dependerá do produto a utilizar e do conhecimento do problema)

  • A eleição da melhor técnica de aplicação, tendo em consideração a cultura e sua forma de condução

  • A eleição do(s) produtos fitofarmacêuticos a utilizar

  • Determinação da dose a aplicar em função de vários factores (estado vegetativo da cultura, intensidade de ataque da Praga, condições para ocorrência de doenças, etc.)

  • Calibração dos equipamentos (pulverizadores) para que se consiga obter uma pulverização uniforme e eficiente sobre o alvo a tratar.

Nesta apresentação vamos falar simplesmente da optimização dos tratamentos mediante pulverizações foliares

No caso da vinha, dependendo do momento em que se faz a aplicação e do material (pulverizador) que se utiliza, as perdas por deriva e escorrimento para o solo rondam os 70% e 30% respectivamente.

O uso de equipamentos mais modernos juntamente com uma boa calibração, contribuem para diminuir essas perdas e conseguirmos aplicações mais efectivas.

O objectivo das aplicações foliares é conseguir uma deposição uniforme dos produtos fitofarmacêuticos sobre o nosso alvo a tratar (folhas, cachos, infestantes, etc.).

Por outra parte, na cultura da vinha, temos bastantes diferenças dentro da mesma região vitícola, já, para não falar no país. Estamos a falar de diferentes compassos de plantação, diferentes formas de condução, diferentes formas de sistematização dos terrenos, isto numa perspectiva macro. Se nos centrarmos a nível da parcela, mesmo ai temos diferenças ao longo do ciclo vegetativo, no vigor das plantas (heterogeneidade entre vários locais da parcelas) e também no volume de massa foliar durante uma campanha.

Geralmente as recomendações do uso de produtos fitofarmacêuticos baseiam-se na concentração ou na dose por hectare.

Temos que ter presente que a água da pulverização é um meio para a distribuição uniforme do produto fitofarmacêutico na cultura a tratar.

Quando trabalhamos à concentração, se fizermos as aplicações com pistola e com um operário treinado para conseguirmos uma pulverização uniforme, antes que atinja o ponto de escorrimento, seria um bom sistema. O problema é que este tipo de prática na grande maioria dos casos é economicamente inviável.

Hoje em dia há varias opções de pulverizadores no mercado desde os hidráulicos – jacto transportado e jacto projectados aos pneumáticos. Estes equipamentos conseguem fazer uma repartição bastante boa da calda na nossa cultura, contudo os volumes de água utilizados podem varia dos 1000 aos 100 litros/ha ou menos.

A concentração, não é valida quando se utiliza baixos volumes de água nas pulverizações (subdosagem). Por outro lado, a dose por hectare não contempla as diferenças de vegetação entre os diferentes compassos de plantação ou entre os diferentes estados de desenvolvimento da cultura dentro da mesma parcela ao longo do ciclo vegetativo.

Está evidente que é necessário um sistema de dosagem diferente, que se adapte às mais diversas parcelas e estados vegetativos de cada cultura.

O TRV (Tree Row Volume) e o CAS (Crop Adapted Spraying) são duas ferramentas que nos vão ajudar a adaptar a dose do produto fitossanitário ao estado vegetativo da cultura a tratar.

TRV e CAS trabalham segundo o princípio de depósito constante de produto e têm em conta o estado de desenvolvimento da cultura. Evitamos o escorrimento e reduzimos a proporção de produto que não alcança o alvo, proporcionando resultados biológicos mais constantes e menos variação a nível de resíduos.Com o TRV e CAS conseguimos resolver o problema do agricultor sobre quanto produto deve aplicar para uma óptima eficácia durante o ciclo vegetativo da cultura, uma vez que as plantas vão tendo tamanhos diferentes, ou em diferentes densidades de plantação, evitando aplicar uma quantidade de produto insuficiente ou excessiva.Antes da utilização deste sistema, os equipamentos devem estar perfeitamente calibrados e os operadores devidamente formados no que diz respeito à aplicação de produtos fitofarmacêuticos. Não devemos ultrapassar as doses máximas registadas dos produtos fitofarmacêuticos utilizados.

 

Gilberto Lopes, Maria do Carmo Pereira, Juan Miguel Cantus, Syngenta.

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