Eng.º Luis Mendes

Técnico na AVIPE

16.50 - 17.10: Balanço Fitossanitário do Ano

Apresentação da comunicação:

 

O ano vitícola de 2013 na Península de Setúbal decorreu de uma forma normal tanto a nível climatérico como a nível fitossanitário e vitícola.

Em termos de clima o ano vitícola caracterizou-se por uma quantidade de precipitação durante o ciclo da vinha acima do que é normal devido às chuvas dos meses de Março, Setembro e Outubro que registaram valor muito acima da média de 1981-2010. Nos restantes meses, as precipitações verificadas foram até abaixo do normal, com os meses de Maio, Junho, Julho e Agosto a registarem um acumulado de cerca de 11 mm/m2.

Em relação a temperatura, foi um ano próximo do normal, tendo-se registado picos de temperatura máxima, acima dos 40ºC, associada a valores de humidade relativa muito baixos, no início de mês de Julho, originando fenómenos de escaldão em algumas vinhas da região.

Relacionado com o clima, a evolução do estado fenológico da vinha surgiu com um atraso de cerca de 10 dias no início do ciclo em relação ao ano de 2011. Com o evoluir da vinha esse atraso foi-se esbatendo, tendo a floração ocorrido na terceira semana de Maio e o início do pintor na segunda semana de Julho. As vindimas iniciaram-se maioritariamente na semana de 19 de Agosto com as castas brancas, arrastando-se até à segunda semana de Outubro, principalmente com algumas vinhas da casta Castelão.

Em termos fitossanitários o ano vitícola decorreu sem sobressaltos, com as principais doenças da vinha (míldio, oídio e podridão cinzenta) a não manifestarem sintomas de maior, apenas com alguns vestígios de míldio no início do ciclo.

A preocupação com as doenças de lenho e o Black Rot tem originado a aplicação de produtos fitofarmacêuticos com acção nestas doenças, com maior incidência no início do ciclo da vinha. No ano de 2013 as doenças de lenho manifestaram-se no início do ciclo com sintomas de escoriose e no final do ciclo, associado aos meses quentes e secos, sintomas de esca. Quanto ao Black Rot, surgiram ligeiros sintomas nas folhas no início do ciclo, no entanto o clima favorável e os tratamentos realizados com produtos com acção nesta doença, fizeram com que não se verificassem estragos originados por Black Rot.

Quanto às pragas principais da região (traça da uva e cigarrinha verde) o ano também decorreu normal, com a traça da uva a apresentar as três gerações habituais e nas épocas normais (fim de Março para a 1ª geração; 3ª semana de Junho para a 2ª geração e 2ª semana de Agosto para a 3ª geração). Os tratamentos efectuados controlaram os ataques verificados, tendo-se observado alguns cachos atacados na 3ª geração, principalmente nas vinhas vindimadas mais tardiamente.

Quanto à cigarrinha verde, as vinhas atacadas mostraram alguns sintomas no final de Julho, tendo havido necessidade, em algumas delas, a realização de tratamentos específicos para esta praga em final de Julho e início de Agosto.

Algumas pragas secundárias voltaram a surgir neste ano, originando, algumas delas, a necessidade de intervenção.

Os caracóis, a áltica e com alguma incidência, este ano, os ácaros originaram alguns sintomas nas vinhas obrigando a intervenções específicas para o seu controlo. Apesar de pontuais, os ataques destas pragas originam atrasos no desenvolvimento da vinha podendo em casos extremos (como por exemplo nos caso dos caracóis) afectar o seu vigor e a sua produção.

Mais uma vez este ano, verificámos ataques relativamente intensos e mais espalhados pela região e por várias castas de afídeos. Esta praga tem vindo a intensificar os ataques ano após ano, passando a atacar castas onde raramente se verificavam ataques. A casta Moscatel de Setúbal continua a ser a mais fustigada com ataques severos entre os cachos separados e o início da floração, com consequências graves ao nível do desavinho e consequentemente afectando de forma directa a quantidade da produção. Apesar de alguns esforços, continuamo-nos a debater com a falta de produtos homologados para o combate aos afídeos da vinha, situação esta que lamentamos.

Quanto às vindimas estas decorreram de uma forma escalonada com as castas brancas a serem vindimadas entre final de Agosto e início de Setembro (com excepção do Moscatel de Setúbal que foi até final de Setembro) e as castas tintas a ocuparem todo o mês de Setembro até meados de Outubro, verificando-se algum atraso na maturação o que levou a atrasos na vindima. Esta situação associada às chuvas que começaram a cair na 3ª semana de Setembro levou a alguns problemas na gestão desta vindima, no entanto não trazendo consequências ao nível da qualidade das uvas. Quando à quantidade vindimada foi um ano com menor produção do que o ano de 2012, com quebras a rondar os 30% nas castas tintas e os 50% nas castas brancas.

 

Luis Santos Mendes

Associação de Vitivinicultura do Concelho de Palmela - AVIPE

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