Eng.ª Margarida Santos

Investigadora no Instituto Nacional de Investigação agrária e Veterinária

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17.30 - 17.50: Viroses e Doenças afins da videira

Apresentação da comunicação:

A prevenção é o único meio que temos atualmente para lidar com as viroses e doenças afins na videira. Cerca de setenta vírus e outros organismos intracelulares já foram detetados em videira, mas só oito são considerados tão importantes que merecem legislação específica na União Europeia. Os sete organismos incluem cinco vírus, um fitoplasmas (Flavescência Dourada) e uma bactéria (Xilella fastidiosa), sendo estes dois últimos considerados de quarentena. Os cinco vírus que são referidos na legislação europeia para a certificação de materiais vitícolas (Arabis mosaic virus-ArMV, Grapevine fanleaf virus-GFLV, Grapevine leafroll associated virus 1-e 3 -GLRaV1 e GLRaV3, Grapevine fleck virus-GFkV) pertencem a três dos quatros grandes grupos de viroses da videira- degenerescência infeciosa, enrolamento foliar e marmoreado.

A degenerescência infeciosa está espalhada por todas as regiões vitícolas do mundo, é causada principalmente pelo GFLV, conhecido vulgarmente por urticado ou nó curto, mas também por outros vírus transmitidos por nemátodos onde se inclui o ArMV. Como o nome indica causa degenerescência incluído os entrenós curtos, plantas ananicadas, clorose, desavinho, bagoinha e principalmente quebras significativas na produção, por vezes causa a morte precoce das cepas.

O enrolamento foliar é atualmente a virose mais difundida na videira em todo o mundo, chegando alguns autores a considerá-la já uma pandemia. É causada principalmente pelos GLRaV 3 e GLRaV 1 que são transmitidos planta a planta por cochonilhas. Pelo menos mais três vírus e suas variantes causam esta virose. Embora a sintomatologia varie entre as castas geralmente no final do ciclo de crescimento as plantas tem as folhas enroladas e estão vermelhas ou amarelas conforme são tintas ou brancas. Na maioria das castas provoca quebras de produção, mas principalmente redução do teor de açúcar e de cor na uva. Estes efeitos são mais pronunciados quanto mais tardia é a vindima.

O marmoreado é uma doença que parece afetar só os porta-enxertos, mas como reduz o vigor dos mesmos deve estar ausente dos porta-enxertos certificados. É causada principalmente pelo GFkV e os sintomas incluem bacelos pouco vigorosos e folhas pequenas com manchas em estrela.

O grupo que não é referido na legislação é um complexo de viroses designado por lenho rugoso e juntamente com o GLRaV 2 está envolvido em algumas das patologias da incompatibilidade entre porta-enxertos e garfos.

As doenças de quarentena são uma fonte de preocupação constante e a flavescência dourada está bem estabelecida no norte do País com prejuízos para todos os viticultores atingidos quer nas vinhas infetadas, quer nos suas vizinhas e ainda para os viveiristas que tem campos de multiplicação na zona. A importação de matérias vitícolas de diferentes fornecedores europeus deve por os viticultores de sobreaviso pois há casos citados de doença de Pierce (causada por Xilella fastidiosa) e Bois Noir.

Neste trabalho vamos dar uma panorâmica das viroses e doenças afins da videira em Portugal e indicar algumas das medidas preventivas para reduzir o impacto destas doenças na viticultura.

 

Margarida Teixeira Santos

INIAV- Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.

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