Eng.º Henrique Soares

Presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal

9.30 - 9.50: Tendências e Evolução no Mercado dos Vinhos

Apresentação da comunicação

 

Nos últimos quinze anos a vitivinicultura portuguesa protagonizou uma “revolução” silenciosa que a projetou em definitivo como o exemplo de sucesso que muitas atividades económicas do agroalimentar português tentam seguir e com o qual se procuram comparar!

Em rigor o processo teve início nos primórdios dos anos noventa com o primeiro instrumento de apoio ao arranque e renovação de vinhas que o País soube aproveitar como poucos e continuou com os sucessivos apoios ao investimento em vinhas e adegas que os sucessivos QCA’s e a OCM Vitivinícola disponibilizaram ao longo de quase 25 anos.

A nossa Região é um bom exemplo de toda esta “revolução”, nalguns aspetos constituiu mesmo um exemplo fulgurante da mesma, como o demonstra de forma eloquente estudo recente do IVV,I.P. incidindo no período 2007-2012 sobre “Certificação de Produtos Vínicos com Denominação de Origem (DO) (Ex. DO Palmela) e Indicação Geográfica (IG)” (Ex. Vinho Regional Península de Setúbal).

Quando abordamos a evolução da vitivinicultura no nosso País pelo prisma das regiões vitivinícolas, suas DO’s e IG’s, não devemos deixar de ter em conta não só a sua diferente dimensão física e económica mas também a sua história, há DO’s centenárias e há DO’s e IG’s que têm pouco mais que uma vintena de anos de expressão comercial, o que forçosamente tem impacto no seu presente e poderá ter mais ainda no seu futuro.

 

VOLUME CERTIFICADO COMO DO/IG

Os produtos com IG têm demonstrado uma tendência de crescimento superior aos de DO e, após 2010, o seu volume ultrapassou de forma visível a quantidade de vinhos certificados com DO.

Esta tendência indica que, mais recentemente, os operadores optam por obter a certificação como IG, em detrimento da DO. Nos últimos seis anos, os DO passaram de 51% para 48% do total certificado.

 

POSIÇÃO DAS ENTIDADES CERTIFICADORAS (EC)/REGIÔES NO TOTAL DE PORTUGAL CONTINENTAL (exceto DO “Porto”)

A certificação de produtos vínicos regista uma concentração assinalável em duas entidades certificadoras, que em conjunto representaram 56,7% do volume certificado (DO+IG) no ano 2012.As Regiões com maiores ganhos no peso relativo situam-se nas regiões mais a sul, com destaque para a Península de Setúbal.

 

PESO DOS PRODUTOS COM D.O. E COM I.G. EM CADA EC/REGIÂO NO TOTAL DE PORTUGAL CONTINENTAL (exceto “Porto”)

A opção de obter a certificação como DO ou como IG está ligada ao cumprimento dos requisitos exigíveis para cada uma das categorias e, naturalmente, às perspetivas comerciais dos operadores, por sua vez relacionadas com “os gostos” dos consumidores nos diversos mercados.

Entre 2007-12, deu-se uma inversão na repartição DO|IG, com a certificação dos volumes com IG a ultrapassar a dos DO. No entanto, há variações substanciais em cada EC/Região, o que indica existirem opções distintas quanto ao valor acrescentado da inclusão do nome da DO ou da IG na rotulagem dos produtos que serão comercializados.

Os dados relativos ao volume certificado como DO e como IG por cada Região apontam para uma abordagem diferenciada “norte-sul”. Nas regiões a norte, predomina a opção pelo recurso à certificação como DO, enquanto no sul, a opção é claramente no sentido da IG.

 

DIMENSÃO DOS VOLUMES CERTIFICADOS NA PRODUÇÃO NO TOTAL DE PORTUGAL CONTINENTAL E NA PENÍNSULA DE SETÚBAL

A produção no continente registou tendência decrescente no período 2007-2012, contrariada por uma só vez na campanha 2010/2011.

Ainda assim, as variações no volume certificado não foram tão acentuadas quanto as da produção, observando-se um comportamento relativamente estável, mesmo nos anos em que a produção considerada “apta a DO/IG” registou aumentos.

Através dos dados considerados e na perspetiva da relação certificação/produção, é possível concluir que as variações anuais na produção não têm sido fator de instabilidade na quantidade que é certificada.Excluindo o volume referente ao vinho do Porto, observa-se que entre 2007-2012, a produção certificada como DO e IG correspondeu a 46% da produção total. No entanto esta grandeza é de 66% quando comparada com a produção declarada como “apta a DO/IG”.

Este peso da produção certificada não é transversal a todas as regiões vitivinícolas, verificando-se casos em que:

• O volume efetivamente certificado como DO/IG representa mais de metade da produção da região

• A certificação regista alguma desaceleração, mas o peso na região é importante

• O peso não é elevado mas registam evoluções interessantes

• A certificação ainda tem um peso baixo

 

A produção na Península de Setúbal registou uma tendência de diminuição no período 2006/07 a 2011/12, situando-se, em média, em 38,4 milhões litros, dos quais 28 milhões (73,8%) são aptos para a certificação como DO/IG.

Desta parte, 70,7% são efetivamente certificados, originando uma média anual de 20 milhões litros. A certificação tem vindo a aumentar (+7,7%/ano), contrariando o rumo da variação na produção.

Entre 2007-2012, 52,2% da produção total da região da Península de Setúbal, foi certificada com a DO “Palmela”, “Setúbal” (vinho generoso) ou IG “Península de Setúbal”.

 

CASTAS, EXPORTAÇÕES (Países Terceiros) E EVOLUÇÃO DO VOLUME DE CERTIFICAÇÃO NA PENÍNSULA DE SETÚBAL

A inscrição das vinhas na CVRPS é um acto voluntário, resultando actualmente na existência de 60 castas “cadastradas” como aptas a produzir vinhos com DO e IG na Península de Setúbal, cujas vinhas representam uma superfície vitícola de cerca de dois terços da área total de vinha da Região (42 castas representam 3% desta área e as restantes 18 são responsáveis por 97% da superfície vitícola da Região, apta a produzir vinhos com DO/IG).

A diversificação do encepamento acompanhou o investimento na reestruturação das vinhas da Região, as três castas fundamentais da Região continuam a ser Castelão, Moscatel de Setúbal e Fernão Pires, mas há vinte anos atrás a primeira significava 90% da superfície plantada com castas tintas (70% actualmente) e as outras duas mais de 90% das brancas (75% actualmente).

Esta diversificação materializou-se na plantação de castas tintas como Syrah, Aragonês, Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Boushet, Touriga Franca, Merlot e Moscatel Galego Roxo, nas brancas destacam-se Arinto, Antão Vaz, Verdelho, Chardonnay, Viosinho e Síria.

Esta diversificação ao nível vitícola foi fundamental para que a Região continuasse a progredir, permitindo aumentar a sua competitividade no mercado nacional enos mercados de exportação como se comprova pela análise da evolução dos volumes exportados e certificados nos últimos cinco anos (2009-2013):

  • As exportações para os mercados extra comunitários (no mercado intra comunitário só muito recentemente passou a estar disponível a estatística de exportação de quase todas as regiões vinícolas) cresceram a um ritmo de 70% ao ano neste período, concentradas em seis mercados: Angola, Brasil, Canadá, China, EUA e Noruega, nos últimos dois anos Angola passou a ser o primeiro destino dos nossos vinhos por troca com o Brasil;

  • Neste período o volume global de certificação cresceu 11% ao ano impulsionado pelas exportações (com destaque para os mercados extra-UE) mas também pelo mercado nacional onde, há excepção de 2011, crescemos sempre em termos relativos mas também nominalmente, atingindo uma quota de mercado que se cifra já em 12,5%.

 

A centenária Denominação de Origem Moscatel de Setúbal e as mais “jovens” Denominação de Origem “Palmela” e a Indicação Geográfica “Península de Setúbal” têm vindo a consolidar a sua presença nos mercados e o seu contributo para a economia vitivinícola da Região e do País, a primeira pesa cerca de 8%, a segunda 12% e a IG significa, em termos médios, 80% do volume de certificação de vinhos com DO/IG da CVRPS.

A Região tem ainda uma larga margem de progressão, cerca dum terço das uvas produzidas não estão ainda classificadas como podendo dar origem a vinhos com DO e IG, por outro lado, embora já mais de metade dos vinhos sejam comercializados nestas categorias ainda há quase outro tanto que o não é!

Nos próximos anos o desafio será o de conseguir obter uma melhor valorização das uvas e dos vinhos produzidos na Região, o passado recente faz-nos acreditar que este desígnio está ao nosso alcance!.

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